{"id":301,"date":"2024-07-02T15:46:11","date_gmt":"2024-07-02T18:46:11","guid":{"rendered":"https:\/\/houndsr.com.br\/en\/?p=301"},"modified":"2024-08-12T10:28:47","modified_gmt":"2024-08-12T13:28:47","slug":"um-vicio-e-um-recomeco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/houndsr.com.br\/en\/um-vicio-e-um-recomeco\/","title":{"rendered":"Um v\u00edcio e um recome\u00e7o"},"content":{"rendered":"<div class=\"feed-shared-inline-show-more-text feed-shared-update-v2__description feed-shared-inline-show-more-text--minimal-padding feed-shared-inline-show-more-text--3-lines feed-shared-inline-show-more-text--expanded \" tabindex=\"-1\" data-artdeco-is-focused=\"true\">\n<div class=\"update-components-text relative update-components-update-v2__commentary \" dir=\"ltr\">\n<p><span class=\"break-words tvm-parent-container\"><span dir=\"ltr\">Por quase 20 anos, um v\u00edcio tomou conta da minha vida. Por ser socialmente aceito (e muitas vezes incentivado, talvez como o cigarro h\u00e1 algumas d\u00e9cadas), ele passava despercebido por muitos. Mas n\u00e3o para quem mais importava para mim.<\/span><\/span><\/p>\n<p>Como outros v\u00edcios, ele me apresentou a muitas coisas tentadoras. Me levou a restaurantes sofisticados. Me conectou com pessoas renomadas. Me levou ao exterior com tudo pago. Eu me sentia importante. Mas, obviamente, ele tinha seu lado nefasto. Quantas vezes acordei de madrugada para consumi-lo (ou deix\u00e1-lo me consumir)? Quantas vezes deixei de viajar, de passar o fim de semana ou de jantar com a fam\u00edlia e amigos por causa dele? Eu sa\u00eda de casa enquanto todos dormiam. Chegava quando todos estavam dormindo. Tudo por causa dele.<\/p>\n<p>Eu pensava nele a todo momento. Mesmo quando me permitia estar com outras pessoas ou nos momentos de lazer, na maior parte das vezes eu estava apenas de corpo presente. Minha cabe\u00e7a estava nele.<\/p>\n<p>Em muitos ambientes em que trabalhei, ele era enaltecido. Quanto mais eu me entregasse a ele, mais eu era valorizado. Nestes ambientes, \u201ca fome juntava com a vontade de comer\u201d. O sonho de muitos nestas empresas era ter um mero \u201cfinal de semana sab\u00e1tico\u201d. Mas eu me achava mais forte do que isso. Eu me entregava a ele de corpo e alma, 24 x 7, sem resistir! Quanto mais me exigiam, mais eu estava l\u00e1. E mais longe estava de quem eu amava.<\/p>\n<p>Eu at\u00e9 tinha alguma consci\u00eancia do seu lado negativo. Mas, no fundo, eu tinha orgulho de ser workaholic. O trabalho era mais importante que tudo na minha vida. Como eu recebia as recompensas \u201cmundanas\u201d que ele oferece \u2013 dinheiro, reconhecimento e poder \u2013 eu achava que estava tudo bem. Gra\u00e7as a Deus n\u00e3o precisei de um infarto, burnout, div\u00f3rcio ou de filhos definitivamente desconectados de mim para perceber que aquilo n\u00e3o estava certo. Num dado momento percebi que este n\u00e3o era o caminho. Pelo menos para mim.<\/p>\n<p>Na pandemia, minha m\u00e3e faleceu. Hoje percebo o quanto deixei que o trabalho roubasse n\u00e3o s\u00f3 meu tempo com ela, mas em especial a qualidade do tempo que tive com ela. Quantas vezes eu n\u00e3o estava com ela e parei s\u00f3 para \u201cresponder um whatsapp\u201d (que iniciava uma conversa que duraria a noite toda) ou \u201cpara terminar uma planilha que precisava ser entregue ainda no domingo\u201d. Este tempo com ela n\u00e3o volta mais. Mas decidi que eu n\u00e3o iria mais deixar isso acontecer com minha esposa, meus filhos, amigos e, em \u00faltima an\u00e1lise, comigo mesmo.<\/p>\n<p>H\u00e1 uns 5 anos aprendi a conviver melhor com o meu v\u00edcio e, de certa maneira, a control\u00e1-lo. Mas percebo que a semente dele ainda est\u00e1 l\u00e1. Se eu der uma brecha, tenho uma reca\u00edda e logo ele reaparece. Por isso, o estado de vig\u00edlia \u00e9 constante.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 uma d\u00e1diva. Ele traz significado a coisas muito importantes. Mas ele n\u00e3o pode ser tudo. Ele n\u00e3o pode estar acima de tudo. Ele deve ser vivido com intensidade e intencionalidade. Mas quem o controla sou eu, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Por: <span class=\"update-components-actor__title \"><span class=\"update-components-actor__name hoverable-link-text t-14 t-bold t-black\"><span dir=\"ltr\"><span aria-hidden=\"true\">Jo\u00e3o Paulo Faleiros<\/span><\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por quase 20 anos, um v\u00edcio tomou conta da minha vida. Por ser socialmente aceito (e muitas vezes incentivado, talvez como o cigarro h\u00e1 algumas d\u00e9cadas), ele passava despercebido por muitos. 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